12/12/2008

Digam-me o que conseguem visualizar através deste poema:


Da minha janela embaciada
que vou limpando com a manga da camisola
oiço passos nos passeios
latidos soltos nas gargantas de cães longínquos


a luz adormece nos ombros de uma mulher
que guarda a dor no regaço - ventre adiado de sombras -
e
chora infantes nascidos
que a luz não tocou


está sentada no chão húmido e frio
a cabeça no abismo dos joelhos


estende a mão suja às chuvas de dezembro
à piedade da luz
e à dos homens